Eco de Aragem

• •

À procura de uma receita

Escolho a verdade e a honestidade sempre que duvido de alguma coisa. Nem sempre me afasto de amizades ou conversas necessárias, mas são muitas as vezes que sigo a minha intuição e interpreto o significado de gestos e palavras.

Nada será verdadeiro quando nos picam a alma.

Não há nebulosidade no que nos dá alegria.

Sentimos na pele cada palavra oferecida, em cada momento de ausência, em cada dedo de desprezo desconhecido e na atenção negada que respiramos.

Só o sol brilhante nos faz sorrir na nostalgia de saber que quem está próximo não gosta de nós.

O que nos rodeia, mais conhecido ou mais afastado, influencia a nossa vivência e arrefece a nossa vida quando gela o que gostamos.

Que palavras devo escolher para esses anos que já passaram numa contagem apressada?

Direi que foram ventos suaves e um rascunho da vida pintado a aguarela. Haverá muitas descrições maldosas e muitas portas fechadas quando rejeitamos, pelo afastamento, o que não nos faz feliz.

Estas linhas soltas que escrevo procuram uma receita em cada palavra de amizade que ilude ou ilumina. E que dirão todos os outros?

Maria Monteiro – 2026