Abro os braços e estico-me para ver o mar. Que liberdade tão honesta que ali se esconde nos dias de uma neblina vaporosa a proteger a mistura do dia e da noite, sempre com a certeza que haverá um regresso em breve. Quantas vezes olhamos os sonhos que desejamos sem descobrir defeitos ou angústias? Tenho mesmo de saber que cores agitam esse anoitecer que se despede das horas de verão.
Foram muitas as agitações neste caminho de dias felizes a que disse um sim gentil. Descanso a pensar nas ilusões, nas realidades e ignoro as opiniões. Só a matemática me salva de listas de números que me escurecem a mente. Esta descrição que já não me consegue magoar está a prejudicar quem trabalha com dedicação. O que é discreto porque é só meu, honesto e justo liberta a alma de agitações provocadas por quem apresenta certezas que não existem.
E com sorte ignoro tudo isso e escolho as palavras que me agarram à liberdade de um anoitecer de cores vibrantes. Estico-me um pouco e penso na beleza desse mar de água gelada tão perto de um olhar.
As agitações que guardo desde o início do verão têm noites longas e preocupações. Lamento que momentos curiosos sejam o universo da verdade que fica em anexo. E respiro… Respiro a verdade nas brevidades de um texto que me dispensa um minuto de satisfação.
E amanhã?
Maria Silva Monteiro – 13 de outubro de 2026