Eco de Aragem

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Perdida e achada quando faz sentido

Sento-me no meu silêncio numa pequena espera que aceito.

Respeito o trabalho que aguardo, na ordem que já me tinha sido oferecida. O meu pensamento divaga e recordo que aguento tanta coisa nos ombros leves que resguardo do frio. As horas estão certas e os minutos um pouco atrasados.

Respiro o ar frio e deixo o pensamento deambular novamente por pequenos detalhes do dia: o almoço que hei de preparar, os ingredientes, o desejo de embelezar uns vasos. Num instante, o silêncio dentro de mim lembra mais um pormenor que escrevo apressadamente num pedaço de papel.

Escuto uma conversa e penso que não precisamos ser como os outros, mas somente nós mesmos. Exibo, muitas vezes, esse ar de qualquer coisa que me esconde. Talvez os outros sejam muito melhores do que eu. São com toda a certeza! Sabem tanto, fazem tanto, mostram-no em tudo o que sabem, mesmo quando sinto os picos a irem para qualquer direção que desconheço.

Não me importo com o que não se cola na minha pele.

Tantas razões que escuto, tantas futilidades que parecem inoportunas, tantas palavras partilhadas sem mim. Prefiro ignorar este estatuto que me dão, redondo de ilusão ou quadrado de realidade. Por vezes, respondo qualquer coisa numa pequena frase e sinto um alerta de arrependimento. Somos todos pessoas imperfeitas com objetivos diferentes e opiniões cruzadas sobre o desconhecido.

Os adjetivos e as atenções magnânimas não limitam projetos opostos.

Na verdade, o vento sopra para todos os perdidos e achados, rodeando-os de esperança e milagres, mesmo quando a neblina me salpica e acrescento um pouco de canela para manter o mistério.

Maria Silva Monteiro – 12 de julho de 2026